KIRIKÚ E A FEITICEIRA

Kirikú e a feiticeira

“Kirikou n’est pas grand, mais il est vaillant” (kirikú não é grande, mas é valente), diz uma linda canção do filme, que inspirado por uma lenda da África Ocidental, conta a estória de Kirikú, um menininho muito esperto que vive em uma tribo subjugada pelo poder de uma feiticeira má, Karabá, a qual supostamente secou a fonte de água da aldeia, sabota suas plantações e mata seus homens. Malvadezas mais reais, impossível!  Mas Kirikú não tem medo de Karabá, a feiticeira. Na sua sábia generosidade ele sabe que todo mal tem uma origem e se empenha em descobrir porque Karabá é malvada para assim através do amor, torná-la boa novamente.

Há no filme uma importante reflexão sobre o papel da mulher na sociedade africana, que abre portas para pensar essa questão em âmbito de outras culturas, assim como a reflexão acerca das conseqüências da violência e da dualidade entre o bem e o mal. Isso ocorre pelo fato do filme ser baseado em uma lenda, a qual extrapola características culturais de onde surgiu e assume um caráter universal ao tratar de questões e sentimentos intrínsecos a todo ser humano, independente de tempo e espaço.

O filme é de uma beleza rara. As cores exuberantes da áfrica, sua sonoridade em lindas canções do senegalês Youssou N’Dour e no uso instrumentos tradicionais africanos (como o balafon, ritti, cora, xalam, tokho, sabaar e o belon), a cultura de um povo distante de nós (mas nem tanto) mostrada de maneira poética e sem os estereótipos preconceituosos de uma visão etnocêntrica, os animais cheios de encantos e a sabedoria dos ensinamentos, que se fazem universais, fazem desse filme uma jóia rara indispensável para crianças de todas as idades. Ainda mais em meio a tantos filmes infantis desnecessários, por assim dizer, que exigem de nós ampla atenção em relação a seus conteúdos duvidosos que, dentre outros males, estimulam o consumismo infantil.

Kirikú não. Kirikú é do bem. É cinema de autor. É crítico e respeitoso com a cultura alheia. E o pequeno Kirikú não deixa de ser um herói. Sem capa nem máscara, mas com muita coragem, perseverança e vontade de fazer o bem. Ou seja, um herói de verdade. Seu super poder está na pureza do coração, pureza que só uma criança pode ter. E a qual é perdida no momento em que Kirikú tem contato com o mal, ao livrar dele Karabá. Momento este em que abandona a infância, torna-se homem. Não preciso dizer que as crianças deliram com a esperteza e valentia do pequeno herói.

Recomendo, recomendo, recomendo!

Aliás, recomendo qualquer filme de seu diretor, Michel Ocelot, um animador Francês que passou a infância, entre os 6 e os 12 anos, na Guiné, onde teve contato com a lenda de Kirikú, o menino que já falava de dentro da barriga da mãe. Inclusive a continuação de “Kiriku e a feiticeira”, que se chama “Kiriku e os animais”, é muito bacana e narra as aventuras do menininho durante os acontecimentos do primeiro filme, numa espécie de digressão.

Sobre o diretor:

Michel Ocelot nasceu na França em 1943 e passou a infância, dos 6 aos 12 anos, na Guiné. Voltou para a França e estou artes, focando-se mais tarde na Animação, onde experimentou diversas técnicas. Realizou diversos curtas metragens e séries para a televisão antes começar à realizar longas metragens. “Kirikú e a feiticeira” foi seu primeiro longa metragem, executado com orçamento apertado, mas que lhe garantiu diversos prêmios e o tornou um diretor respeitado. Seus outros longas, igualmente incríveis:

– “príncipes e princesas” (2000)

– “Kirikú e os animais” (2005)

– “As aventuras de Azur e Asmar” (2006)

Kirikú e a Feiticeira (Kirikou et la Sorcière)
Animação, França, 1998, 74 min
Direção: Michel Ocelot
Roteiro:Michel Ocelot
Produção: Didier Brunner
Edição:Dominique Lefever
Trilha sonora: Youssou N’Dour

Pra saber mais:

http://www.kirikou.net/index.html

http://www.kirikou-lefilm.com

Trailer kirikou et la sorcière:

http://www.youtube.com/watch?v=03P-6l9mdGw

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