Filme: As aventuras de Azur e Asmar

azur-et-asmar

Era uma vez duas crianças: Azur, loiro de olhos azuis, filho de um nobre; e Asmar, moreno de olhos negros, filho de Jenane, a criada do nobre, que amamentou e criou ambos como se fossem irmãos. Mas o destino os separa bruscamente quando Azur é enviado para a cidade a fim de completar seus estudos e Jenane e Asmar são mandados embora da casa do nobre. O tempo passa, e ao concluir seus estudos, Azur decide que é hora de realizar seu sonho: ir em busca da fada dos djins e libertá-la, instigado pela lenda que era contada por Jenane para embalar a ele e a Asmar quando pequenos. É nesse momento que Michel Ocelot insere a dimensão do fantástico em seu filme, transformando-o em um conto de fadas, dos mais encantadores, mas sem deixar para trás a dimensão crítica de seus filmes. Ao migrar para a África em busca do castelo onde esteria aprisionada a fada dos djins, Azur se depara com as reais dificuldades de um imigrante em terras estrangeiras para se adaptar à nova cultura, passando por diferenças de costumes e valores, mas encontra também um mundo mágico habitado por seres mitológicos, que tornam possível a busca por seu sonho, entremeado pelo reencontro com Asmar, agora seu rival na busca pela fada, e Jenane, que o acolhe maternalmente. A aventura se passa no Magreb (África Ocidental), terra natal de Asmar, enquanto Azur é proveniente da França.

jenane com 2 crianças

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Dois povos, duas culturas, um conto de fadas onde a realização de um sonho pode superar as fronteiras da discriminação étnica, social ou cultural. O cenário super colorido, característico do diretor, aqui revela detalhes do mundo árabe, seus sabores, sua arte e arquitetura, marcada pela influência bizantina. E traz para o debate questões políticas como o conflito entre ocidente e oriente, através do encontro entre culturas e suas diversidades, que aqui tem um final feliz. E tudo isso voltado para o olhar infantil de uma maneira tremendamente bela.

As aventuras de Azur e Asmar (Azur et Asmar)
Ocelot sabe explorar com muita delicadeza e respeito questões étnicas e culturais em seus filmes, trazendo à tona questões importantes da contemporaneidade, como intolerância racial e religiosa, medo do desconhecido (que norteia também Kiriku e a feiticeira), preconceitos culturais e todo tipo de dificuldade que o encontro entre sociedades pode gerar, propondo soluções simples de coexistência pacífica. Tudo isso sem dar lição de moral em ninguém, mas utilizando- se de lendas e contos orais, onde os ensinamentos estão embutidos no desenrolar da história de forma poética.

jenane nobre (Azur e Asmar)
Um conto de fadas que difere muito daqueles pasteurizados a que estamos acostumados. Nos filmes de Ocelot as mulheres são valentes e capazes, não há a tradicional rivalidade entre o bem e o mal, já que a bondade e a maldade podem coexistir no espírito humano, e, sobretudo o respeito à cultura alheia, que não se apresenta estereotipada segundo padrões ocidentais.
Daqueles filmes sensacionais que fazem a criança pensar, refletir e sobretudo respeitar o outro, buscando compreender suas particularides e pluralidades culturais. Tudo de forma sutil em meio a uma mágica aventura que instiga a imaginação. Filme belíssimo, de qualidade indiscutível. Um conto de fadas de verdade!

passaro
Atenção para a trilha sonora dos filmes de Ocelot, sempre incrível, que aqui fica a cargo de Gabriel Yared, de origem libanesa (e responsável pela trilha de diversos filmes conhecidos do público, como “O Paciente Inglês”, e “Cold Mountain”) e para a belíssima canção de Afida Tahri.
E o melhor de tudo? Super aprovado pelos filhos, que já viram e reviram diversas vezes. E a cada vez que assistem, são conversas interessantíssimas que surgem. Um sinal de que a capacidade das crianças está muito além do que lhes é oferecido por boa parte dos filmes infantis. Recomendo muito.

Indicação: Crianças à partir de 04 anos aproveitam melhor, mas meus filhos assistem desde os 02 junto com a gente e adoram.

As Aventuras de Azur e Asmar (Azur et Asmar)
Animação, França, 2006, 99 min
Direção: Michel Ocelot
Trilha sonora: Gabriel Yared

Sobre o diretor:

Michel Ocelot nasceu na França em 1943 e passou a infância, dos 6 aos 12 anos, na Guiné. Voltou para a França e estou artes, focando-se mais tarde na Animação, onde experimentou diversas técnicas. Realizou diversos curtas metragens e séries para a televisão antes começar a realizar longas metragens. “Kirikú e a feiticeira” (1998) foi seu primeiro longa metragem, que lhe garantiu diversos prêmios e o tornou um diretor respeitado. Seus outros longas, igualmente incríveis:

– “príncipes e princesas” (2000)

– “Kirikú e os animais” (2005)

Leia aqui sobre “Kiriku e a Feiticeira”, outro filme fantástico de Michel Ocelot.

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